sexta-feira, 5 de abril de 2013
Lembranças
No rádio, tocava If I close my eyes forever. Lábios carnudos, olhos negros, cabelos compridos. Ela desejava estar ali e ao mesmo tempo lembrava-se de seu antigo amor. Suspiros, gemidos e uma mente perversa.
Sentada tragando seus pensamentos, ela havia acabado com mais um maço, naquele mesmo dia tinha discutido com sua mãe, e sem revidar às palavras amargas sentou-se no canto da sala, onde ficava um sofá e uma velha escrivaninha, e com a cabeça debruçada em seus joelhos permaneceu ali por alguns minutos. Tinha uma vaga lembrança de seu pai, ele havia morrido quando ela ainda era jovem, entretanto ela se recordava daqueles grandes olhos a olhando enquanto fumava mais um de seus charutos, ele tinha coleção e quando recebia amigos em sua casa oferecia uma dose do velho Johnnie Walker e um de seus charutos.
Como ela desejaria sentar-se em seu colo mais uma vez, tocar aquelas mãos ásperas, alisar seus cabelos grisalhos e a barba por fazer. Ela sente muito por não ter sido um exemplo de filha, mas talvez lhe faltava um conselho de pai.
Mutias coisas doem agora, seus dedos inquietos levam o vício à sua boca, lembranças a atropelam a todo momento. Antigos amores, desilusões, situações má resolvidas e uma insatisfação total.
Ela o abraçava com força, não podia crer que mais uma vez sentiria aquela mesmo dor, o último beijo. Seus pensamentos a traíam a todo momento, o que ela teria feito de errado desta vez? Desejaria apenas mais uma chance de concertar alguns erros, todavia quando o arrependimento bateu em sua porta preferiu insistir no mal e hoje padece de amor, sua alma chora. Sozinha, sentada naquele sofá, livros e roupas jogadas em todos os cantos da sala. Mais uma dose, uma dose desse amor bandido, uma dose de VOCÊ, uma dose desse amor bruto. Poderia sorrir e enganar mais alguma pessoas, ou acelerar o que no fim seria irremissível. Além das palavras que se foram com o vento, seu amor também se foi.
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